sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Um código de ética, por favor

Ética profissional e os serviços essenciais
O Brasil chegou a um patamar repugnante de exacerbação do egoísmo corporativo.
Talvez sob a lógica de intelectuais universais que acreditam em ideologias e em teses a serem defendidas sem maior objetividade, como explica Michel Foucault em seus últimos livros (muitos livros escritos por ouvintes dessas aulas que devem ter sido fantásticas, como resultado de seus discursos), vejamos um pragmatismo doentio contaminando tudo o que acontece em nossa pátria. Ele valorizava ações objetivas e conscientes da realidade existente (na análise colocada genialmente em seu livro (Arqueologia do Saber)), a partir dos quais define o  “intelectual especialista”, ou seja, o que é mais objetivo e faz acontecer. Aliás, Hannah Arendt teria chegado lá para nós se tivesse vivido um ano mais. Lamentavelmente morreu antes de escrever meticulosamente sobre o “homem de ação”.
Numa visão parresiasta (vide (Foucault - a coragem da verdade, 2003)) não podemos esquecer (Nietzsche) e maravilhosamente o que ele romanceia em um de seus livros, entre os quais “Assim falou Zaratustra” [ (Wikipédia), (Nietzsche F. ), (Nietzsche, a construção do Zaratustra), (Nietzsche - Human, All Too Human (Full BBC Documentary))].
Tudo poderia ser resumido no livro (O Senhor das Moscas - "Lord of Flies") se o tema a ser analisado for o comportamento de nossas corporações.
Precisamos, talvez seja impossível, educar e aprender muito sobre ética e moral para pretender o que sonhamos. Quais são os limites?
A polêmica em torno do (Programa Mais Médicos) é extremamente didática e pode rapidamente gerar uma compreensão do que queremos dizer.
As greves e o péssimo serviço de concessionárias federais (principalmente) assim como a leniência e omissão de sindicatos e associações fazendo de conta de que nada sabiam até a Polícia Federal revelar inquéritos é outra evidência do Estado doente, mal educado, viciado em benefícios sem risco ou crentes da impunidade.
Com certeza muito da fragilidade de nossas instituições está na falta de transparência técnica, além da administrativa.
A fragilidade técnica tem muitas causas, entre elas a colocação de pessoas absolutamente despreparadas para os cargos que ocupam. É fácil de ver isso nas cidades, principalmente em metrópoles como é o caso de Curitiba, cheia de escaninhos teoricamente existentes para o aprimoramento da administração técnica, na realidade, talvez, para colocar companheiros e indicados por partidos da base que elegeu o prefeito.
Ungidos entre os tangidos pelos poderosos assumem cargos para os quais não estavam preparados nem dispostos a realizar um bom trabalho a favor do povo em geral.
E o ser humano?
É interessante sentir o fervor patriótico em cerimônias em que pessoas crentes de bons princípios acham, depois,  extremamente natural cooperar com os “acordos políticos impublicáveis”. Honestidade é isso? Companheirismo significa renunciar a qualquer orientação pública e justa?
Na Copel vemos uma preocupação para que os diretores sejam escolhidos entre funcionários de carreira da empresa. É um bom critério?
Qualquer corporação de grande porte contém pessoas de inúmeros padrões éticos e morais. Seria suficiente pertencer à corporação para merecer cargos de relevância?
Os políticos devem sentir o peso de compromissos de campanha quando se veem limitados a esse ponto nas suas nomeações. Além dos compromissos partidários, querem que aceitem tacitamente gente da “casa”, e o perfil ético?
A ênfase deve ser a qualidade moral e competência técnica, o que pode significar a escolha de pessoas externas à corporação (de qualquer espécie).
Durante a luta pela Copel vimos e passamos por situações inusitadas. Com a omissão de especialistas e lideranças de toda sorte (internas e externas à empresa) quase que a empresa foi doada ao Itaú (Ação Popular ) e depois, quando o governador anunciou a privatização [ (Anúncio da proposta de venda da COPEL ), (Início da luta contra a privatização - releases)] teve início uma série de episódios que mostraram como se revertem as ideologias, vontades etc., bastou anunciarem a distribuição de migalhas entre os funcionários...
O que pretendemos afirmar é que acima de tudo é essencial uma postura ética em relação ao povo, quem realmente paga salários e outros custos das concessionárias, algo que o neoliberalismo procura atenuar, afinal investidores querem autômatos descartáveis.
Precisamos até por força de leis municipais, estaduais e federais criar códigos de ética severos; utopia? Provavelmente, chegamos a um nível moral muito baixo seguindo a (Lei de Gérson). O que fazer para recuperar a dignidade?
Nossas lideranças bem intencionadas, dentro e fora de partidos políticos, instituições, concessionárias, universidades etc. deveriam debater exaustivamente o tema: “o que fazer para recuperar o prazer e a honra de ser brasileiro” e ter como diretriz a pertinência e coerência a favor do bom governo.

Cascaes

[org.], F. G. (2003). Foucault - a coragem da verdade. Parábola.
Cascaes, J. C. (s.d.). Ação Popular . Fonte: A luta pela Copel: http://alutapelacopel.blogspot.com.br/2008/08/ao-popular.html
Foucault, M. (s.d.). Arqueologia do Saber. (Forense Universitária) Fonte: http://www.deboraludwig.com.br/arquivos/foucault_arqueologia_do_saber.pdf
Golding, W. (s.d.). O Senhor das Moscas - "Lord of Flies". Editora Nova Fronteira.
Início da luta contra a privatização - releases. (s.d.). Fonte: A Luta pela Copel: http://alutapelacopel.blogspot.com.br/2008/08/incio-da-luta-contra-privatizao.html
JULIANA DE MARI, R. Z. (s.d.). Anúncio da proposta de venda da COPEL . Fonte: A Luta pela Copel: http://alutapelacopel.blogspot.com.br/2008/08/anncio-da-proposta-de-venda-da-copel.html
Lei de Gérson. (s.d.). Fonte: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_G%C3%A9rson
Nietzsche - Human, All Too Human (Full BBC Documentary). (s.d.). Fonte: YOUTUBE: http://arteeculturauniversal.blogspot.com.br/2013/10/nietzsche-human-all-too-human-full-bbc.html
Nietzsche, a construção do Zaratustra. (s.d.). Fonte: TERRA: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/nietzsche_ultimo2.htm
Nietzsche, F. (s.d.). Assim Falava Zaratustra. (J. M. Souza, Produtor) Fonte: eBooksBrasil.com: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/zara.pdf
Nietzsche, F. (s.d.). Humano, Demasiado Humano (2 ed.). (A. C. Braga, Trad.) escala.
Programa Mais Médicos. (s.d.). Fonte: Portal da Saúde: http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/area/417/mais-medicos.html
Wikipédia. (s.d.). Assim Falou Zaratustra. Fonte: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Assim_Falou_Zaratustra




Nenhum comentário:

Postar um comentário